João Maria Gusmão - Animal Farm
2

 

Fevereiro

 

2024
João Maria Gusmão - Animal Farm

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Exposição individual

Apresentado pela Galeria Zé dos Bois, no 99 Canal, Nova Iorque

02.02 - 03.03.2024


Animal Farm convida o observador a uma odisseia visual enaltecida pelo consolo pastoral, pelos menestréis animistas e pelos enigmas metafísicos – fantasmas, ghouls e goblins – oferecendo vislumbres fugazes de uma alteridade existente entre a techne e a poiesis, o humano e o não-humano, o nocturno e o diurno. Através de mais de uma dúzia de novas projecções em película de 16 mm, somos convidados a explorar as mais recentes conquistas de uma longa investigação sobre meios analógicos e conceitos analógicos. Uma viagem em direcção a um distanciamento ecológico da paisagem rural extractivista.


Para este desafio, o artista português propõe uma abordagem distinta ao seu trabalho, moldando as instâncias de contemplação estética e ancorando-as na cadência circadiana da metrópole. É apenas sob os raios desvanecedores da cidade que nunca dorme que as projecções de 16 mm ganham vida, revelando as entidades radiantes que as habitam. É, por assim dizer, uma exposição para noctívagos, criaturas do escuro e vespertinos.


Ao mesmo tempo que se pode comparar Animal Farm com o conto de fadas de Orwell, Gusmão apresenta um enigma estruturalista: a natureza espetral do meio cinematográfico, apontando-nos para uma fenomenologia “estranha”; uma espécie de assombração – o estudo da natureza do que se situa entre o ser e o não-ser entre as criaturas domesticadas e selvagens do rancho – uma ontologia vicária!


Em Animal Farm, Gusmão submerge-nos no seu mundo idiossincrático de explorações e opiniões para-históricas, para-científicas e para-filosóficas, intrincadamente entrelaçadas em cada fita de celuloide.


Nas salas iluminadas pelo horizonte noturno do centro financeiro, podemos reparar (ou não) no Rooster at dawn, que assinala o início de mais um dia; numa Ghost tape que ecoa os sons da sua própria morte; num esquadrão de patos a dançar a valsa numa natureza morta intitulada Landscape with Boat and River; Half a horse; uma humilde propriedade dedicada à exploração do sol, ou seja, uma Solar farmFermented Foam, uma enigmática gosma que lembra um produto lácteo, ladeada por Flat cows make nice Yogurt, um relato vivo de bovinos geneticamente modificados com encefalopatia espongiforme – feral!; uma colecção de quartos de dormir do purgatório; o meu olhar nostálgico para My Uncle’s Castle, outrora do meu avô e agora da casa de campo do meu primo, imerso numa mise en abyme de herança ressentida e direito de nascença; Day for night, uma saudação cinematográfica a The Empire of Light de Magritte; um pedaço de Mustard imbuído de conotações escatológicas; um Sunflower at dusk varrido por uma tempestade nuclear; The wondrous pumpkin farm; Mozart’s piss stone, o menir outrora marcado pelo próprio Amadeus com a gasolina de uma nave espacial da idade da pedra; a ciência é ficção!


E, assim, o termo cunhado por Derrida ao proferir uma conferência intitulada “The Animal that Therefore I Am” (“O animal que, portanto, eu sou”) reverbera mais uma vez: zoopoética!


Avante, camaradas! Viva o moinho de vento! Viva a Quinta dos Animais!
George Orwell (in Animal Farm, 1945)



Foto © Kunning Huang

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