













© Vasco Stocker Vilhena
A nova exposição de João Paulo Feliciano apresenta trabalhos produzidos nos últimos cinco anos, refletindo uma intensidade criativa proporcionada pelo seu regresso às Caldas da Rainha.
As mais de vinte obras expostas corporizam a enorme diversidade e amplitude de linguagens que caracterizam o trabalho de Feliciano. Se por um lado reconhecemos a presença de aspectos que remontam ao início da sua produção, desde logo o regresso da pintura, por outro somos confrontados com dimensões inéditas, nomeadamente o recurso à pintura figurativa.
Um traço comum a quase todas as peças é o modo como o artista parte de préexistências — objectos encontrados, materiais industriais, imagens, ou mesmo referências ao trabalho de outros artistas — para construir obras recorrendo a
combinações pouco ortodoxas de materiais, técnicas e linguagens: guache, lixívia, carvão, aguarela, acrílico, decalque, alumínio, vidro, cartão, madeira, pvc, plástico, tela, ferro, ímanes; o desenho, a colagem, a pintura, a escultura, a fotografia, a abstração e a representação.
Com esta abordagem Feliciano reclama para a arte uma espécie de função redentora, capaz de resgatar e organizar a infinita diversidade de formas, objectos e sistemas do mundo contemporâneo. Transformando o caos em ordem, a insignificância em relevância, a fealdade em beleza.