Cristina Guerra Contemporary Art
Presents a group show by Francisco Queirós, Pedro Cabral Santo, Susana Mendes Silva e Pedro Diniz Reis.
Opening the 23th January 2003 at 22pm
23th January to 1th March 2003
Tuesday to friday 10am/8pm
Saturday 12pm/8pm
Cristina Guerra- Contemporary Art apresenta, a partir do dia 23 de Janeiro, a exposição colectiva de Francisco Queirós, Pedro Cabral Santo, Susana Mendes Silva e Pedro Diniz Reis.
A galeria convida quatro artistas portugueses, que desenvolvem projectos específicos para esta exposição. Todos eles se têm notabilizado na cena artística nacional.
Francisco Queirós (Lisboa, 1972) apresenta a instalação The dilemma (Jane the little girl with the dilemma of the self-growing members and John the little boy with the dilemma of the self growing member), de 2002.
Construída a partir de uma história inquietante e perturbadora que nos é revelada, o artista desenvolveu esta instalação onde se reflecte sobre os traumas da paixão e do crescimento, implícitos num acto de mutilação não revelado. Formalmente próxima de um universo infantil, que Francisco Queirós tem vindo a explorar em diversos trabalhos, quer ao nível da imagética utilizada quer na escolha dos próprios materiais, as soluções encontradas para a instalação indicam, por um lado, a ambiguidade e a angústia da ficção (da autoria do próprio artista) e, por outro, a impotência do espectador para a resolução do conflito e da tensão da 'história' encenada.
Pedro Cabral Santo (Lisboa, 1968) constrói em The superabbit (your moments, your music), vídeo de 2002, uma metáfora a diferentes níveis de leitura.
A partir do texto "Os três sentidos da cultura" de T. S. Eliot, o artista, concebe uma fábula sobre um coelho (cientificamente, um dos animais melhor preparado para sobreviver pela acuidade dos seus sentidos) 'dissidente' dum mundo imaginário (metáfora para a Terra), por extensão uma metáfora sobre o mundo humano e, em especial, sobre o papel do artista na sociedade. O vídeo estabelece uma reflexão sobre a especialização da cultura (que corresponde em T. S. Eliot à morte desta) que, através duma imagem 'anómala' acompanhada de legendas, chama a atenção para a impossibilidade de apreender tudo num mesmo momento e sublinha a necessidade de uma selecção da informação visual por parte do espectador.
Por conexão com o que é apresentado, o vídeo alerta, em última instância, para a necessidade de uma responsabilização ética dos artistas sobre as imagens que produzem.
Pedro Cabral Santo prepara, actualmente, a compilação das bandas sonoras dos seus vídeos, a ser editada durante 2003. O projecto desenvolve-se sobre a identidade musical do artista - "Projecto Fusível"- e compõem-se de 14 temas originais a serem apresentados na sua versão instrumental e na sua versão integral, como apresentados em vídeo.
Susana Mendes Silva (Lisboa, 1972), tal como todos os restantes artistas, apresenta um projecto específico- (Never) Fight Back, de 2003- desenvolvido a partir de uma série de desenhos de 2002, agora transpostos para vinil e apresentados na parede através da ampliação da sua escala.
Partindo de um dos eixos estruturantes do seu trabalho- a produção de imagens onde uma acção se apresenta suspensa- a artista retoma uma temática já abordada em anteriores trabalhos (cite-se, a título de exemplo, a série de 3 fotografias Rose Ladies, de 1998) onde figuras de soldadinhos de plástico desenvolvem uma série de acções não resolvidas. A tensão e antinomia, que o próprio título expressa, revela-se na ambiguidade quer de género (feminino/ masculino), através do uso da cor e de elementos gráficos dissonantes (sapatos de mulher) quer na ocultação de todos as acções violentas (onde as 'balas' se transformam em figuras geométricas), funcionando, a instalação, como uma subtil crítica política às próprias relações e condições do ser humano.
Susana Mendes Silva prepara, actualmente, a sua exposição individual, a inaugurar em Fevereiro, integrada no projecto IN TRANSIT, comissariado por Paulo Mendes.
Pedro Diniz Reis (Lisboa, 1970) apresenta 2 trabalhos construídos a partir de uma exploração do próprio medium da sua realização e do questionamento da opticalidade da sua percepção.
No vídeo La Mort du Loup, de 2001, cujo título joga com a homofonia da palavra loup (lobo, em francês) e loop (dispositivo videográfico), uma figura caminha do plano de fundo para o primeiro plano, durante um fade crescente de som e, chegando ao primeiro plano, ergue um comando que desliga o monitor. Trata-se de uma exploração, e questionamento, do próprio dispositivo tecnológico (o vídeo e a sua apresentação), que, numa definição feliz de Rosalind Krauss, se identifica, nesta era "pós-medium", com a noção de "aparato" (a consciência do todo que compõem a opticalidade da imagem em movimento- espaço, dispositivo tecnológico, hard-ware, soft-ware, suportes).
No díptico Last night, de 2002, composto de 2 duratrans montados em caixa de luz, o questionamento vai no sentido da própria opticalidade: organizada segundo as regras do nosso campo perceptivo (leitura da esquerda para a direita) a composição mostra, na fotografia colocada do lado esquerdo, uma personagem que desenvolve uma acção ambígua num espaço suburbano, figura esta que desaparece na fotografia da direita, resultando num jogo de revelação/ ocultação da imagem total. A personagem funciona como 'interferência' do campo visual numa reflexão, já presente em trabalhos anteriores do artista, sobre o cruzamento dos cones visuais dos objectos e da sua percepção, como apontado por Lacan.
HM.